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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Marcas da idade

Foi uma questão de gentileza, estava pedalando na calçada lugar que sabia que não era o meu, quando me deparei com uma senhora que andava calmamente, me olhando mas ao mesmo tempo sem notar a minha presença, continuei pedalando lentamente me esgueirando pro canto da parede, quando ela deu um sorriso fingindo não me ver mas me olhando profundamente nos olho,s enquanto eu quase caia de canto na parede. Minha mente deu um salto pra fora, meu espírito rodopiou pelo ar junto com aquela expressão forte e ao mesmo tempo frágil. 

Minha consciência parou nos olhos dela, foi um baque. 
O mundo parou. 
Eu me tornei ela, ela veio a mim em um entrelaço de espíritos. 

Eu vivi por um segundo suas experiências de vida, sua simplicidade. Eu continuei pedalando. 
Mas minha consciência ficou lá naquele momento e por horas trabalhando eu não estava em mim. Eu estava lá. Eu estou lá. 


Quantas vezes por dia paramos para olhar no fundo dos olhos das outras pessoas? Quantas vezes por dia nos deparamos com pessoas emotivas? Quantas vezes nos atemos a detalhes do dia a dia ? Quantos amores, quantas saídas e e visitas fazemos aos amigos ? Quantos abraços e quantos sorrisos nos damos a nós mesmos quando estamos sós ? 

Hoje passando por essa senhora, nós cruzamos os olhares brevemente, numa fração de segundos eu me vi dentro dela. Eu era ela com suas vivências, sua história, suas lágrimas, sua dor, suas alegrias e vitórias. 
Ela refletiu dentro de mim seus sentimentos, suas falhas e lembranças. 
Eu balancei como se tivesse chocado contra a parede, minhas emoções se misturaram, e a chuva caía forte. 

O reflexo das poças no chão, mostravam ainda aquele olhar, o preto e branco das árvores, os seus olhos azuis intensos, o seu cabelo grisalho quase inteiramente branco, o seu caminhar pesado, seu sorriso jovial, as marcas e rugas na pele, o registro autêntico de quem ainda vive.

Eu não era você ontem, eu sou você hoje e agora. 

domingo, 24 de junho de 2018

Anjos ao sol

Lá vai o soldado gritar a dor, a dor de quem partiu, ficou e ninguém viu. 

O grito ecoa num mar de andorinhas. 
É num andar descalço e sereno a procurar ao léu a esperança de um novo céu, achar a dádiva de um despertar ensurdecedor de estrelas de papel. 
Elas emanam leveza.. reacendem a incerteza de uma nova era. Era essa que se desconecta, se desprende e desabrocha uma tendência, a energia de desapegar do espírito, da carne esta que mofa, que desconstrói uma imagem, uma paisagem de ardor.. a escuridão que detém do poder de ocultar, torturar e petrificar. 

Os olhos fechados, imaginam sussurros, discursos que arrepiam e sustentam o peso do cobre, do ouro maciço perdido nas lembranças de um passado cultivado em luxúria e calúnia . 
Enviado para despachar um anel de ciclos encubados, atabalhoados de fúria, lamúria secular especulam mágoas, remorso, se aprofundam com ganas de medo e solidão. 
Os anjos pairam e soltam a alma dos desafortunados, enquanto eles se desprendem a caminho da luz, da Glória, alforriam-se rumo ao infinito. 

Death

As laminas que entram nos meus poros, a larvas que evaporam pela boca, a vivacidade das cores, as armas que enlouquecem o ser, as larvas, o tiro, a flor lançada, a faca atravessada, o desenlace das flores, os desamores.

A ópera viking, as flechas lançadas, as armaduras, as forças pré definidas, o movimento dos barcos, os corpos derrubados, o sangue fluindo no mar..

A conquista e a ferramenta da vitória.

O corpo levado pelo movimento marítimo, as energias que se esvaiam, os olhos se fecham pra escuridão, tudo se desliga, a mente se entrega pra o bem e para o mal..