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sábado, 21 de março de 2026

Confusão com o lixo - Gatilhos

Dividir apartamento com pessoas é algo super complicado, sem sombra de dúvidas. E olha que nas minhas experiências à bordo dividindo uma cabine com pouco mais de 15 metros quadrados, e com pessoas de diferentes nacionalidades me fizeram entender vários tipos de entendimentos variados, mas uma boa comunicação ultrapassa fronteiras e isso nunca foi um problema.. 

Atualmente moro num apartamento com 3 outras pessoas além de mim, divido banheiro com mais uma, e a cozinha com todos os 3. Imagina! 

Aqui existe uma piração que logo que me foi explicado como funcionava, eu pensei: Ta louco, esse cara é sistemático demais! (nas entrelinhas meu pensamento foi "quanto tempo será que eu aguento morar com uma pessoa assim?! veremos...). E assim começou o drama, logo nos primeiros dias.. 

Esse negocio de apontar o erro o tempo todo é super cansativo, e a parte também de ter que ficar centímetro por centímetro com medo de se tem algo sujo ou fora do lugar, me parece ativar grandes gatilhos, medo da repreensão de como se fosse o meu pai prestes a ralhar comigo por qualquer motivo desnecessário; o segundo gatilho tem a ver com o meu pai que era machista em tratar mulher como se fosse empregada, porque ele mesmo nao limpa e recolhe o lixo já que está cheio? e acha que a mulher deve tirar o lixo pro bonitao se sentir confortável com o serviço alheio.. eu nao sou empregada dele, eu pago com tudo incluso, eu faço a minha parte, e deixo o mínimo para ser secado, pois lavo tudo, e ele (o dono da casa) sempre buscando um problema para ter que reclamar, o que me fez pensar no meu ego sempre buscando um problema para ter que reclamar e trazer mais insatisfação. A unica ponta de felicidade que tive com esse pensamento é que: ultimamente sempre que isso acontece, eu mando logo um "cancela" pra minha mente, e vida que segue, pelo menos por algum tempo minha mente entra em ressonância com o agora, e tudo silencia, seguindo em paz. 

Hoje, dessa vez eu resolvi escrever no grupo em que o problema do lixo cheio foi apontado mais cedo, eu contei sobre a minha experiência de trabalho à bordo em que cada um exercia sua função na limpeza no quarto e sugeri que poderíamos de repente dividir as funções ou pelo menos parar de apontar o dedo pro coleguinha e fazermos à nossa parte em silencio, agradecendo que se um ou outro não pôde resolver, que ele (o dono) estando em casa em algum momento à toa possa fazer pelos demais, afinal eu tive crise alérgica por conta do gato, e nem por isso os acusei que o problema era o gato, eu simplesmente limpei meu quarto, varri a casa, para resolver o que me incomodava, sem incomodar outras pessoas, fiz a minha parte. Mas parece que ele além de não ter entendido o recado, ainda fez questão de escrever "você forçou a colocar mais coisas no lixo, abriu a lixeira e recolocou a tampa como que deixando o lixo para outra pessoa tirar", fiquei pensando se ele fica assistindo pela câmera esse movimento acontecer.. já que ele igualmente estava em casa nesse momento, porém não na cozinha, a tampa estava posta, e como ele sabe que fui eu a ultima a utilizar a cozinha?! mas enfim, não me dei ao trabalho de contestar, explicar o porque nao me deu tempo de fazer essa troca, mesmo tendo trocado o lixo inúmeras vezes essa semana em silencio, afinal me faltam 3 semanas para ir embora daqui, após 2 meses de estadia nesse local, sendo que no quinto dia já havia estresse de ralo 'sujo', sendo que eu nem estava no estado do rio de janeiro, e ele cobrava a limpeza do mesmo, o que já estava sujo mesmo antes de eu estar morando aqui, mas como não quis me indispor em tão pouco tempo, dei ok, e segui a vida, até que vez ou outra vieram os outros dedos apontados.. 

Essa semana, quiseram apontar uma chave esquecida na porta, que obviamente não era minha, e depois de acusarem, a esposa achou o culpado, era ele mesmo (o marido), logo o que mais acusa dentro de casa. Eu ri, Karma sempre retorna kkkk.. 

A esposa que se faz de empregada dele dentre os 20 anos de relacionamento, ela codependente financeira,e ele codependente emocional pois não sabe viver sozinho. Eu já os conheço há mais de 15 anos, porém havia um gap de 10 anos sem nos vermos. O que notei que a esposa no passado ouvia tudo calada, hoje em dia ralha com ele na mesma proporção que ele implica com ela, colocando o rabinho dele entre as pernas. Ou seja, vi uma força e potencial grande nela, apesar de que uma insegurança ainda grande dela perder ele por alguma razão, que seja financeira, pois ela não acredita ainda 100% em si e em sua postura profissional.. segue infeliz com a relação mas agora buscando trabalhar fora de casa, como até descanso mental da sensação anterior de se sentir presa em tempo integral nesse lar, essa conversa aconteceu, mas com outras palavras ela desabafou comigo. Ele desabafou comigo que sempre foi um cara frouxo para relacionamentos e que sempre foi muito passivo.. o que percebi aqui foi que de passivo, eu nao sei, mas passivo agressivo com certeza.. o que me preocupou, onde tenho isso ainda em mim que estou 'refletindo' essa situação ainda?! 

O fato é que 10 anos atrás eu me afastei deles por uma situação de briga em família, que eu não entendi bem o que aconteceu, mas envolvia violência doméstica e negligencia, eu não quis me meter e preferi me afastar.. vejo que ao passar dos anos, tudo foi resolvido e entendido por ambas as partes, sabendo cada um de suas limitações.. 

Essa nova habilidade que desenvolvi de sentir as energias alheias, que me deram como talento sem me perguntar se eu queria, é suficiente para eu sentir desde o dia que eu pisei aqui, essa infelicidade alheia em peso. Então meu corpo logo acusou, além de crises alérgicas por conta do gato, meu nariz entupiu e nunca mais abriu, mesmo em cerimonia de ayahuasca, continuou fechado por todo o tempo, nem o rapé conseguiu cura-lo, 10 minutos depois já estava com o nariz entupido novamente.. 

Voltando à casa, lá estava meu corpo acusando em todos os sentidos que esse lugar já não fazia mais parte de mim, 02 dias depois e eu tive uma das melhores notícias do meu cenário atual, poder sair daqui de volta ao meu lar. Voltar a ter meu espaço, reorganizar a minha alimentação, a minha saúde, privacidade, energia e vida. 

Eu que há dois meses venho comendo mal, pelo fato de toda vez que começar a fazer a comida, minha cabeça buga entre limpar tudo, evitar sujar, lavar tudo, e por último comer, pois fico sempre esperando por um esporro, a minha hipervigilância grita, e eu venho tendo cada vez menos vontade de comer ou mesmo fome, pois o medo de encarar a cozinha sem ter paz, é maior do que tudo, acabo me alimentando mal para não viver sob estresse... mas.. 

Viva a energia Divina, nunca é no nosso tempo e sim no tempo de Deus. 

Exú me apareceu, não como espírito, mas como uma voz na minha cabeça em uma das últimas cerimônias de Ayahuasca (eu nem sabia quem era ele), se apresentou e disse que iria entrar na minha vida em breve, e a minha reação foi dizer em pensamento: "Sr. Exu que venha em paz porque eu sou de Paz, será bem-vindo". 

Muito curiosamente, semana passada por intermédio de uma cliente que me pediu um tarô brasileiro, eu fui numa loja de produtos esotéricos, e comprei o Tarô dos Orixás, foi quando entendi verdadeiramente quem é Exu e o que ele faz na vida das pessoas, em duas semanas a minha vida deu um duplo twist carpado, e apesar das oscilações emocionais, Exu liberou muitos caminhos de uma vez só (assim como apareceu em algumas tiragens nas cartas que tirei recentemente), e eu já sou muito grata por tantos milagres em tão pouco tempo. 

Foco e fé que tudo está no caminho certo. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Um entendimento dramático - peça teatral (SP)

 Eu me desloquei para SP, para ver uma peça de teatro, rever meus amigos e relembrar coisas de um passado distante, em prol de criar uma nova realidade. Parece ate papo de maluco.. mas vamos ao que interessa! 

A peça era de um autor conhecido por seus textos contrastantes, não quero dar nome aos bois, e nem ao elenco, apenas contextualizar o meu entendimento, até porque cada um vê o ângulo que consegue na hora que precisa ver... ou vê o que está ao alcance naquele momento. 

A peça começava com uma musica animadora, família feliz, aquela alegria quase praiana, em menos de 5 minutos pulou para um drama, que na mesma medida meu coração se encheu de tristeza, nem eu entendi o que havia acontecido comigo, afinal eu não costumava ser uma pessoa "manteiga" que se derrete tão rapidamente em fogo brando. Então eu consegui me autorregular, afinal o sofrimento não era meu, e sim do ator em cena. 

Foi um tal de corre aqui pra ali, a peça gira em torno de um assassinato, uma família que convive com um suposto assassino (vulgo pai de família) dentro de casa, muito auspicioso inclusive, a esposa vive num drama há 19 anos se o marido matou ou não uma pessoa no dia de seu próprio casamento, imagina a pessoa viver esse tantão de vida sem saber se vive uma ilusão ou de fato dorme com seu assassino favorito. 

A família é desregulada, não apenas pelo suposto assassinato, mas pelo pé de desigualdade mental, seria um festival para qualquer psiquiátrica, mãe narcisista, filhos de características psicológicas duvidáveis, e pai psicopata. A família "ideal", só que não. Lá pelas tantas, é spoiler atrás de spoiler, a filha deixa todos saberem que ela quer ser a única da família, ela quer ser vista, não é apenas sofrer por validação externa, mas ela quer ser a filha única, sendo que ela tem nada mais e nada menos do que mais 3 irmãos. Pá, essa tá facil.. segura o tchan, amarra o tchan tchan tchan tchan, e irmã após irmã morrem afogadas, pelas mãos de quem? aparentemente mãos sem controle.. consciências inconscientes ou consciências inconsistentes? Para não dizer nas más línguas outras cositas más.. 

O filho aparentemente inocente, jovial, quase um mergulhador profissional. Esse acredita no amor da própria mãe, desacredita do amor do pai, e vê a maldade da irmã adoecida da cabeça, belamente interpretada como num "espelho, espelho meu, quem é a moça mais bela do que eu", e ai de quem lhe dizer o contrário, vapo vapo, cabeças iriam rolar. 

Lá pelas tantas, o marido atordoado pela fantasma da assassinada e pelas cobranças da esposa, resolve confessar que cometeu o crime, a família pira, pirada, pirou! Menos o filho jovem inocente que nada vê. A esposa foge com quem ela menos gostava, pois descobre que se sentiu enganada e traída o tempo todo, foge com o futuro esposo da filha, ele mesmo que seguia desde sempre numa vingança ferrenha para vingar a morte de sua mãe há 19 anos, nem com o sucessor essa mulher (mãe) conseguiu ser feliz no segundo ato de sua vida, acreditando que após 19 anos seu destino seria bem sucedido, a ilusão amarga. Após uma noite de núpcias, o filho descobre a traição da mãe, logo quem estava viajando na maionese marinha, vê a mãe com o suposto traidor, e mata ambos. A pobre mãe iludida, mal amada, sofrida, morreu nos 45 segundos do segundo tempo. O filho mergulhador vira de uma inocente criatura à uma besta, tal pai tal filho. E a luta segue, de quem vê apenas sombras, nessa noite escura de almas familiares que não se enxergam mas se refletem entre si..

Entre 4 irmãos, sobraram dois, mãe morta. Só restou a avó, o pai e a filha, adiantando alguns momentos, a avó largada pela neta, morre de fome, ironia do destino, contado de forma até divertida se não fosse trágica, lembrando que era uma peça de teatro muito bem escrita e organizada por sinal. 

Refazendo os cálculos, sobrou a 'Rainha Má da branca de neve' (a filha) e o pai (o assassino). E enquanto a rainha da cocada branca discute consigo mesma ao reflexo de sua mãe no espelho, sobre perder o domínio de suas mães e seus desejos mais íntimos, ela perde a morte espontânea de seu pai, em um ataque fulminante cardíaco, falando sozinha, alegre e feliz no seu jogo do Resta 1. 

Pulei os figurantes e semi figurantes, as vizinhas representando as máscaras, os jogos de opostos, mais como somos diariamente, ou seja nosso ego, em nossas mudanças de opiniões constantes como as ondas do mar, entre o medo e a culpa, como um demoniozinho assoprando ao pé do ouvido. A vida segue como num jogo de xadrez, até ironizarmos um xeque-mate reto e direto. 

A peça encerra numa mistura de drama da vida real, apesar da 'morte e vida severina', o renascimento se faz presente, saímos todos com pulgas atrás da orelha de quem realmente somos e o que estamos escondendo de nós mesmos que nem o espelho de nossas almas nos mostra, que claramente em algum lugar de nosso subconsciente, cedo ou tarde há de retornar a dor dilacerante de um dia acordar! 

Olhos nos Olhos em SP

Automaticamente nas ruas de São Paulo, eu observo as pessoas passando com muita vontade de verdadeiramente olha-las, porque tanto interesse nelas? porque a minha vista já estava cansada da cidade que eu venho. Toda vez que eu saio da minha zona de conforto eu gosto de olhar a verdade delas na rua, na chuva, na correria do dia a dia, e eu pra variar não estava correndo, andava com calma, observando como andam, falam, olham e me olham. E nesse caminhar pelo centro de São Paulo, eu me peguei olhando pras pessoas de uma forma diferente, as vezes até com uma certa audácia. 

Eu ouvi uma amiga paulista comentando que as pessoas na rua não estão vendo umas as outras, elas estão tão ocupadas com seus afazeres que não dão a mínima para você, se está sentada, em pé, lendo, dormindo, ou se tropeçou e pagou o maior mico. Outra coisa que ela comentou também é que os paulistas se não se conhecem, não se falam. E eu no meu primeiro momento que piso no metrô de SP, já comecei a falar com duas senhoras, uma porque eu queria me certificar que estava indo para a estação certa, e outra porque eu estava fugindo de bloco de carnaval, então a senhora me diz que ela também está correndo, enquanto à outra disse que adora um bloquinho. Metades de uma mesma laranja, será?! Só sei que nenhuma das duas eram minhas amigas, mas até se despediram de mim na minha saída. 

Voltando à Avenida Paulista, eu continuei observando as pessoas e no momento que pensei sentir saudades de ver borboletas, eu comecei a ver borboletas de vários tipos, uma moça vestindo uma camiseta com o desenho de borboleta, depois um rapaz com uma borboleta imensa tatuada no pescoço, mais adiante um outro rapaz tinha outra borboleta tatudada na panturrilha, pronto, ganhei meu dia, eu nao vi apenas uma, mas como várias em plena Av. Paulista. Quem diria?!.. 

Continuando e a chuva começou a cair, as pessoas andavam mais devagar, todas impuseram seus guarda-chuvas como as varinhas de condão do Harry Potter, eu e minha amiga desviávamos dos guarda-chuvas alheios como numa maratona, era colocando ao alto e avante, pra direita e esquerda, era um tal de chutar poça sem querer, e água pra todos os lados. 

Ah e sim, de repente eu escuto uma mulher na minha frente gritando: "para de beijaaaaar", ela se referia a um casal se amassando na mureta da avenida, eu comecei a rir e automaticamente soltei "olhaaaa a inveja hein" e continuei a rir, porque eu sou besta mesmo. E ela continuou chateada porque não era ela beijando.. tsc tsc..

Mais adiante passou uma menina olhando de lado, até cruzar o olhar com o meu, olha essa tática eu não conhecia, quase um disfarce zero zero sete de tentativa de flerte e olhar 43, eu mais besta ainda olhei também, afinal não é sempre que estou em SP.. tsc tsc olhar não arranca pedaço, e o flerte além de inocente estava liberado. 

Além de reparar na beleza alheia, não eram apenas rostinhos bonitos com o olhares vagando, eram olhares curiosos, eu parei pra pensar, será que o comentário da minha amiga sobre as pessoas não se olharem ou não se verem, tem a ver com o fato de ela mesma já não olhar com interesse as pessoas pelas quais lhe passam diariamente? será mesmo que ela está enxergando a si mesma?

Eu estava olhando todos por mera curiosidade, afinal mudar de uma cidade para a outra, ativa meu espírito de aventura, de querer conhecer, falar com pessoas, olhar dentro dos portais dos olhos delas, e criar histórias, fantasias, que apenas eu esteja vendo naquele momento de presença. Talvez eu estava vendo o que nem elas estavam vendo, mas o que foi curioso de fato é que elas aparentemente estavam me vendo também, eu não era uma miragem tampouco estava invisível, como me sinto na maioria das vezes em minha cidade, talvez aqui no Rio por falta de curiosidade e exploração do meu local, eu tenha parado de me ver, e ver os demais também, afinal somos todos espelhos. 

A curiosidade passou assim como a da minha amiga, passamos a ver a chuva, as poças, os celulares, e esquecemos dos outros e possivelmente de nós mesmos...

Fica aqui uma reflexão, de voltarmos a nos enxergar, onde podemos melhorar e nos cuidarmos!