Automaticamente nas ruas de São Paulo, eu observo as pessoas passando com muita vontade de verdadeiramente olha-las, porque tanto interesse nelas? porque a minha vista já estava cansada da cidade que eu venho. Toda vez que eu saio da minha zona de conforto eu gosto de olhar a verdade delas na rua, na chuva, na correria do dia a dia, e eu pra variar não estava correndo, andava com calma, observando como andam, falam, olham e me olham. E nesse caminhar pelo centro de São Paulo, eu me peguei olhando pras pessoas de uma forma diferente, as vezes até com uma certa audácia.
Eu ouvi uma amiga paulista comentando que as pessoas na rua não estão vendo umas as outras, elas estão tão ocupadas com seus afazeres que não dão a mínima para você, se está sentada, em pé, lendo, dormindo, ou se tropeçou e pagou o maior mico. Outra coisa que ela comentou também é que os paulistas se não se conhecem, não se falam. E eu no meu primeiro momento que piso no metrô de SP, já comecei a falar com duas senhoras, uma porque eu queria me certificar que estava indo para a estação certa, e outra porque eu estava fugindo de bloco de carnaval, então a senhora me diz que ela também está correndo, enquanto à outra disse que adora um bloquinho. Metades de uma mesma laranja, será?! Só sei que nenhuma das duas eram minhas amigas, mas até se despediram de mim na minha saída.
Voltando à Avenida Paulista, eu continuei observando as pessoas e no momento que pensei sentir saudades de ver borboletas, eu comecei a ver borboletas de vários tipos, uma moça vestindo uma camiseta com o desenho de borboleta, depois um rapaz com uma borboleta imensa tatuada no pescoço, mais adiante um outro rapaz tinha outra borboleta tatudada na panturrilha, pronto, ganhei meu dia, eu nao vi apenas uma, mas como várias em plena Av. Paulista. Quem diria?!..
Continuando e a chuva começou a cair, as pessoas andavam mais devagar, todas impuseram seus guarda-chuvas como as varinhas de condão do Harry Potter, eu e minha amiga desviávamos dos guarda-chuvas alheios como numa maratona, era colocando ao alto e avante, pra direita e esquerda, era um tal de chutar poça sem querer, e água pra todos os lados.
Ah e sim, de repente eu escuto uma mulher na minha frente gritando: "para de beijaaaaar", ela se referia a um casal se amassando na mureta da avenida, eu comecei a rir e automaticamente soltei "olhaaaa a inveja hein" e continuei a rir, porque eu sou besta mesmo. E ela continuou chateada porque não era ela beijando.. tsc tsc..
Mais adiante passou uma menina olhando de lado, até cruzar o olhar com o meu, olha essa tática eu não conhecia, quase um disfarce zero zero sete de tentativa de flerte e olhar 43, eu mais besta ainda olhei também, afinal não é sempre que estou em SP.. tsc tsc olhar não arranca pedaço, e o flerte além de inocente estava liberado.
Além de reparar na beleza alheia, não eram apenas rostinhos bonitos com o olhares vagando, eram olhares curiosos, eu parei pra pensar, será que o comentário da minha amiga sobre as pessoas não se olharem ou não se verem, tem a ver com o fato de ela mesma já não olhar com interesse as pessoas pelas quais lhe passam diariamente? será mesmo que ela está enxergando a si mesma?
Eu estava olhando todos por mera curiosidade, afinal mudar de uma cidade para a outra, ativa meu espírito de aventura, de querer conhecer, falar com pessoas, olhar dentro dos portais dos olhos delas, e criar histórias, fantasias, que apenas eu esteja vendo naquele momento de presença. Talvez eu estava vendo o que nem elas estavam vendo, mas o que foi curioso de fato é que elas aparentemente estavam me vendo também, eu não era uma miragem tampouco estava invisível, como me sinto na maioria das vezes em minha cidade, talvez aqui no Rio por falta de curiosidade e exploração do meu local, eu tenha parado de me ver, e ver os demais também, afinal somos todos espelhos..jpg)