Quantas pessoas hoje estão em busca de serem validadas?
Hoje quase ninguém mais faz uma gentileza ou direciona uma palavra honesta e muito menos um olhar sincero e profundo, olho no olho, o que poderia ser apenas uma mensagem de conforto a outrem.
Muitas pessoas estão cegas, olhando para si mesmas, sem demonstrar suas vulnerabilidades, medos e traumas, por meramente medo. A crença de que vulnerabilidade nada mais é do que uma fraqueza, e fraquezas nao "devem" ser demonstradas em praça pública.
Cabe mais a esses seres demonstrarem uma capa de rosto como de um livro sem folhas. Uma capa de livro muito bonita, com um texto vago ou seria um prólogo muito convincente de que o conteúdo vale a pena ser folheado, o livro parece pesado, quando vc abre, cadê as folhas? As folhas foram arrancadas, o conteúdo é inexistente. Elas mesmas arrancaram, para não exporem suas falhas, os percalços da vida, como se fossem tudo motivo de vergonha.
Se reconhecem como semideuses, porém vivem como indigentes mentais/emocionais. Buscam a perfeição em tudo, não pode existir tropeço nem carência nem tristeza. Perambulam como viajantes, vivendo a melhor vida, os melhores sonhos, criam ilusões por onde passam, já os seguidores que acompanham nem imaginam quantas tormentas essas pessoas enfrentam dia após dia ou as vezes nem sabem que tormentas existem, devido ao distanciamento, por vezes de si mesmo.
A essência ruiu, elas nem sabem por onde sumiu.
São meros zumbis, andando de lá para cá, com seus holofotes nas mãos, e poses de lado, de frente, de costas, olhando para quem? o que se vê? o que é visto? Aos olhos de quem? Comentários vazios.
Uma sociedade baseada no medo em demonstrar vulnerabilidade, mostrando a superficialidade deles mesmos, sem intensidade e sem parâmetros, sem buscas e sem esperanças, sem estudos e sem sentido..
Uma bússola desorientada.
O que custava um olhar de compaixão? Um olhar macio, leve, abrir o coração, demonstrar que estamos vivos, que somos recuperáveis embora as circunstancias não demonstrem por vezes nos ser favoráveis.
Que custa abrir os braços e pedir um afago? O que custa ter um pouco de humanidade? O que custa tentar entender o outro?
Ainda tem muitos livros a serem lidos, pessoas que ainda não estão ocas por dentro. Pessoas que ainda olham nos olhos, pessoas que ainda querem ser vistas e não estão por trás de telinhas.
Essas pessoas estão por aí pela rua, nos cantos, nas esquinas ou até mesmo dentro de casa. Olhar para o lado não vai fazer seu dedo cair.. nem sempre o que está em casa, está buscando validação, as vezes ele mesmo está demonstrando vulnerabilidade sem a necessidade de reconhecimento, ou talvez ele queira ser justamente reconhecido por suas fraquezas.
Será que um voto de confiança pode ser necessário num mundo perfeito que não há caos?
Ou é necessário que haja caos para haver o direito a um voto de confiança?
Será que podemos confiar em nós mesmos?
Será que somos dignos de tal, sem necessitarmos de validação externa?
Vale uma reflexão...
Por mais compaixão.